O que significa prosperar com Deus?

Prosperidade autêntica

 

 

 

O economista indiano Amartya Sen, que foi peça-chave na criação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) — muito usado até hoje por organizações internacionais (direitos sociais, pobreza, justiça, desigualdade) em sua obra ‘Development as Freedom’ (Desenvolvimento como Liberdade) propôs que o verdadeiro desenvolvimento humano não está apenas em indicadores econômicos, incluindo também a ampliação das liberdades e capacidades das pessoas.

De certa maneira, essa visão provoca-nos a uma reflexão e compreensão mais ampla e profunda sobre o que realmente significa prosperar — inclusive com Deus.

Em contraponto às visões reducionistas apressadas em equiparar prosperidade à mera acumulação de riquezas materiais, temos aqui um paradigma sugerindo um estado de alinhamento que faça caminhar juntos, em harmonia, a estabilidade material, o crescimento espiritual e a realização pessoal como fatores de construção de uma prosperidade autêntica e integral.

Assim a verdadeira riqueza é colocada na perspectiva que produz sentido e contentamento duradouros, alegria genuína, paz interior e senso profundo de propósito.

A considerar, então, não mais só a mera prosperidade determinada pelos números de posses no saldo bancário e no imposto de renda, mas levando em conta também o grau de satisfação da alma.

 

Prospere com Deus: o ser humano põe, e Deus dispõe.

A filosofia estoica, com destaque na obra ‘Encheiridion’, ou Manual Arte de Viver, de Epicteto (Séc. I d.C.) já ensinava que a tranquilidade interior nasce da clara percepção dos limites entre o que o ser humano pode controlar (talento, virtude, esforço) e o que não controla (circunstâncias, resultados).

Assim, como forma de reduzir ansiedade e incentivar humildade convém reconhecer essas nossas limitações, que não diminuem em nada a importância da inteligência, esforço e superação pessoal, mas ajudam a regular e calibram a nossa expectativa diante dos resultados, abrindo espaço à consideração, percepção e ponderação do Auxílio Divino como ingrediente sensível na fórmula do sucesso de qualquer iniciativa e empreendimento.

 

A essência da verdadeira riqueza: propósito.

A “alma” ou essência da prosperidade integral é o discernimento, compreensão e compromisso que se fecha com um propósito.

Viktor Frankl, psiquiatra sobrevivente do Holocausto argumenta no livro “Em Busca de Sentido” (Man’s Search for Meaning , Beacon Press, 1946) ser a busca por significado a força motivacional mais profunda da existência humana. Sua conclusão está alicerçada em observação pessoal em campos de concentração, onde, mesmo em condições extremas, aqueles que tinham um propósito interno conseguiam preservar sua resistência física e sanidade mental, principalmente.

Vale dizer: o sustentáculo de uma vida próspera é o senso de missão, e não meramente metas financeiras ou status social.

Ao abraçarmos e vivermos com um propósito, cada pensamento se legitima, cada ação ganha densidade, cada escolha tem direção, cada conquista recarrega o sentido.

Esse propósito pode assumir diversas formas: educar uma família ou grupo de afinidade, servir à comunidade, criar arte, empreender com consciência mais ampla, estudar com profundidade, defender a justiça, seguir os mandamentos divinos com devoção, e por ai vai.

O importante não é o nicho de atuação, mas a intenção que nos move nele.

Quando a rotina do trabalho diário está a serviço de algo maior do que nós enquanto indivíduos, quando nossas decisões exteriorizam nossos valores mais profundos — experimentamos um tipo de prosperidade que não é aferida em números, mas em coerência interna, espiritual.

E é essa coerência que fomenta e estimula a confiança, o entusiasmo, o superar-se, a realização e a paz de espírito.