O “quilômetro extra” ou hábito de fazer mais é um exercício sadio

Dando sequência à Série “Por uma 2ª Oportunidade” e à inspiradora entrevista concedida por William P. Patrick à Napoleon Hiil e Harold Keown em que comenta sobre os efeitos práticos dos 17 Princípios do Sucesso em sua vida e negócios, hoje focalizaremos suas considerações sobre “andar o quilômetro extra”.

Uma reflexão sobre o valor de ir além do mínimo, desenvolver disciplina, construir reputação e aplicar o princípio do “quilômetro extra” no trabalho e na vida.

 

 

 

Napoleon Hill: Por favor, diga o que pensa sobre o princípio de percorrer aquele “quilômetro extra”.

William Patrick: Eu costumava dizer, e ainda digo, que aquilo que damos, recebemos.

Isto está na Bíblia e é tão velho como o ser humano.

Um homem que conheci dizia em resposta a isso: “Não, se você for suficientemente forte para evitar isso.” E eu lhe dizia que ninguém jamais ficará tão forte assim.

Acho que percorrer aquele quilômetro extra acrescenta alguma coisa ao karma da pessoa.

Acho que a coisa que é acrescentada, como entendo a questão, quando se percorre aquele quilômetro extra, é o algo que se dá a si mesmo.

A pessoa dá uma força extra a si mesma.

Na medida em que interessa a meu trabalho, há numerosas coisas que faço que sei que não tenho que fazer, mas as faço porque quando faço coisas extras, isto desenvolve sulcos em mim, sentimentos de inteireza, a certeza de que trabalho numa área em que quase não existe concorrência.

A maioria das pessoas que procura obter alguma coisa sem dar nada em troca não fazem essas coisas extras.

Fazem o mínimo que podem e não sabem nem compreendem o princípio de que quanto menos fazem menos recebem da vida.

Tudo o que se faz é dar, não se preocupando a pessoa com o que recebe em troca.

Por dar não penso nisso de dar uma esmola a um mendigo, pois isso implica enganar-se a si mesmo. Isto é uma racionalização que faz o ser humano julgar que é mais nobre e que está mais perto de Deus.

O que entendo por dar é criar, e dar sua criação, dar de si mesmo a fim de ajudar àqueles que desejam se ajudar e trabalhar numa situação em que nós podemos dar aquele centímetro ou quilômetro extra, fazendo coisas extras. Isto é, dar um bocado de pequenas coisas que se somam nas grandes coisas.

Acredito nisso.

Não penso simplesmente nisso, sei que é – que se deve dar simplesmente e não se preocupar ou se interessar pelo que vem de volta.

E tem que vir em proporção àquilo com que você contribuiu. Ou seja, quando se dá mal, recebe-se mal, também.

Gosto de dizer isso a plateias porque é uma premissa e elas o reconhecem como tal. Digo:

“Vocês ouvem falar em toda essa discussão entre administração de empresas e trabalhadores.

Eles estão em conflito constante.

O problema é que o empregado ou trabalhador comum faz simplesmente o suficiente para evitar ser despedido e o patrão comum paga apenas o suficiente para evitar que seus empregados se despeçam.

Nessa ‘feliz base’ vivem toda sua vida.”

 Napoleon Hill: O que fazemos a uma pessoa ou para ela, fazemos a nós ou para nós mesmos. Seja bom ou mau, o que fazemos volta a nós.

 

(Fonte: ‘Sucesso e Riqueza pela Persuasão’ – págs.194/195 – Napoleon Hill e Harold Keown – Ed. Record)

 

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E continuando nossa busca por versões contemporâneas dos Princípios para a Construção do Sucesso, – pesquisados, trabalhados e propostos por Napoleon Hill durante ao menos 70 anos, – para efeitos de comparação, vejamos o que nos trazem Jamil Albuquerque, Márcio Abbud e Walter Kaltenbach em seus comentários no e-book ‘As 17 leis do Triunfo’ a respeito de

 

O hábito de fazer mais do que o combinado

 

 

As pessoas comuns fazem o combinado. Os campeões fazem mais do que o combinado. O mundo concede os seus grandes prêmios, tanto em dinheiro como em honras, para aqueles que fazem mais do que são pagos para fazer.

Diz um ditado do exército: “Quando você não aguentar mais correr, você ainda aguenta correr cinco quilômetros extras”.

Existem várias maneiras de se construir uma reputação impecável e um patrimônio valioso.

Assumir responsabilidades sem esperar pagamento por isso, antecipar-se aos problemas e se esmerar são alguns dos caminhos. Preocupar-se em fazer o máximo e o melhor em sua atividade ajuda a construir uma fina reputação.

Não se pode dizer o mesmo da reputação que acompanha aqueles que estão sempre tentando fazer o mínimo e levar vantagem.

Triunfar requer atitude de vencedor, foco, coragem, conhecimento, especialização, total dedicação e persistência, ou seja, comprometer-se a fazer o máximo. Comprometer-se é dedicar-se incondicionalmente ao objetivo, seja qual for.

 

Não é tarefa para qualquer um, mas você não é qualquer um.

Uma das formas mais eficazes de se destacar é fazer algo que pouca gente faz, ou seja, fazer mais do que o esperado. Nas palavras de Napoleon Hill:

O simples fato de que a maioria das pessoas presta tão pouco serviço quanto possa cria uma vantagem para todos que prestam mais serviço do que são pagos para fazer, pois permite que lucrem com a comparação.

É importante entender que o princípio de prestar mais e melhor serviço do que se é pago para fazer se aplica a empregadores, profissionais liberais e autônomos, da mesma forma que a empregados.

Quando você faz apenas o que é pago para fazer, não há nada de extraordinário; porém, quando você faz mais do que é pago para fazer, sua ação atrai atenção favorável e propicia o estabelecimento de uma reputação que acabará fazendo a lei dos retornos crescentes trabalhar em seu favor, gerando ampla demanda por seus serviços. …

 

… Pelé é um modelo

 

O conceito desta lição – “o hábito de fazer mais do que o combinado” – pode – e deve – ser aplicado de modo mais geral.

Que você busque a excelência em tudo que faz: no trabalho, na academia, na refeição que prepara ao receber convidados… A ideia é ir além do básico e evitar o “mais ou menos”.

Pelé conquistou todos os títulos que um jogador de futebol poderia pretender e foi além, sendo eleito o atleta do século 20 em 1980.

A qualificação de Pelé como gênio do futebol é unanimidade – chutava com os dois pés, cabeceava, lançava, armava, atacava, defendia, batia faltas, cobrava escanteios, marcava os adversários e tinha uma explosão muscular ímpar, aliada à agilidade, velocidade e incrível visão de jogo. Um jogador completo.

Com dezessete anos já estava na Seleção Brasileira campeã do Mundial de 1958, e marcou um dos mais belos gols de todas as Copas, aplicando um chapéu no sueco Bengt Gustavsson dentro da área.

Craque por natureza, Pelé não se contentava em utilizar apenas o enorme talento.

Era um atleta de dedicação extrema que não se limitava aos treinos coletivos normais. Costumava ficar depois do horário, praticando principalmente chutes a gol. Centenas deles. Todos os dias, no fim da tarde, lapidava as habilidades, trabalhava jogadas, buscando a perfeição.

O resultado foi mais do que centenas de gols; Pelé era um artista, um virtuose; a plasticidade e beleza de seus passes e seu domínio total da bola o tornaram lenda.

Pelé é um modelo de que quem sempre faz mais do que o esperado sempre faz o máximo e o melhor.

Tome a iniciativa de fazer mais do que aquilo que esperam de você.

Quantos funcionários com atribuições sem visibilidade acabam se destacando porque fizeram mais do que o exigido?

Isso ocorre tanto na execução do trabalho quanto na dedicação ao aprimoramento profissional e pessoal.

É uma questão de estar preparado para as oportunidades e para os desafios.

Estar apto para assumir novas responsabilidades.

 

É comum as pessoas se queixarem de que estão ganhando pouco. Pode ser verdade, mas também é verdade que muitas fazem pouco, fazem o mínimo ou até menos.

Nenhuma atividade vale a pena se for encarada apenas como uma obrigação para receber o salário no fim do mês. E a repercussão de trabalho feito de má vontade obviamente não impulsiona a carreira de ninguém.

Toda pessoa que faz algo além do esperado cativa os outros.

Se você vende carros, antes de entregar o automóvel pode fazer uma revisão geral e encher o tanque; se é corretor de imóveis, pode entregar o imóvel limpo e deixar uma garrafa de champanhe para o cliente celebrar a compra.

Kaizen é uma palavra japonesa que significa melhoria contínua, mudança para melhor na vida pessoal, familiar, social e profissional.

O conceito de kaizen foi incorporado pelas empresas do Japão após a Segunda Guerra Mundial e se tornou uma metodologia para redução de custos e aumento da produtividade adotada por grandes corporações e pequenos negócios no mundo inteiro.

Você pode praticar a filosofia do kaizen na sua vida. Pare e reflita:

  • Quais as áreas em que você pode se aprimorar, fazer mais e melhor?
  • O que você pode fazer além do esperado nas relações com a família, os amigos, os contatos profissionais?
  • Em que setores de sua vida você tem feito mais que o esperado?